A doença do disco intervertebral (IVDE), conhecida como hérnia de disco, é uma das causas mais frequentes de dor, fraqueza e paralisia em cães. O disco que amortece as vértebras se degenera, e parte dele pode se deslocar e comprimir a medula espinhal.
Quem tem mais risco?
Raças condrodistróficas — de corpo alongado e pernas curtas, como Dachshund (salsicha), Pug, Shih Tzu, Lhasa Apso, Pequinês, Beagle e Buldogue Francês — são as mais afetadas. Pesquisas associam esse risco a uma variação genética específica (um retrogene FGF4 no cromossomo 12). Cães de outras raças e de maior porte também podem ter IVDE, em geral em idades diferentes.
Sinais de alerta
- Dor na coluna: choro ao ser tocado ou pego, postura encolhida, tremores, recusa em se mexer;
- Relutância em pular, subir escadas ou abaixar a cabeça para comer;
- Andar cambaleante, arrastar as patas ou “cruzar” as pernas;
- Incapacidade de ficar em pé, paralisia dos membros;
- Perda de controle da urina e das fezes, ou dificuldade para urinar.
É urgência. Paralisia súbita, incapacidade de andar, dor intensa ou dificuldade para urinar exigem avaliação imediata. Em lesões da medula, o tempo até o tratamento pode mudar o resultado. Enquanto isso, evite movimentar o cão desnecessariamente e não dê analgésicos ou anti-inflamatórios humanos.
Como se chega ao diagnóstico
O exame neurológico localiza a região da medula afetada e avalia força, reflexos, dor e, principalmente, a percepção de dor profunda — um dos dados mais importantes para o prognóstico. A ressonância magnética é geralmente o exame mais informativo para ver a compressão; a tomografia também pode ser útil em alguns casos. O laudo de imagem, porém, não decide sozinho a conduta: ela depende do exame neurológico, da velocidade de evolução e do estado do animal.
Tratamento conservador ou cirurgia?
Não existe resposta única. O tratamento conservador combina analgesia, restrição de movimento e reabilitação e pode ser adequado em quadros selecionados. A cirurgia é considerada especialmente quando há compressão importante, déficit neurológico grave, piora progressiva, dor que não cede ou recidivas. A literatura reconhece que ainda há pontos em aberto — como o melhor momento para operar — e por isso a decisão deve ser individualizada e conversada com o tutor.
Recuperação e cuidados em casa
- Siga à risca o repouso indicado: pisos antiderrapantes, sem escadas, sem pular no sofá;
- Use peitoral em vez de coleira no pescoço nos passeios curtos, se liberados;
- Se o cão não urina sozinho, a bexiga precisa ser esvaziada por manobra ensinada pela equipe — não espere;
- Vire o cão com frequência e cuide da pele se ele passar muito tempo deitado;
- A reabilitação (exercícios guiados, fortalecimento, recursos como laser) costuma fazer parte do plano.
Uma recuperação “parcial” pode significar muita qualidade de vida: andar sem dor, controlar urina e fezes e voltar à rotina. Por isso, o objetivo é sempre definido junto com a família.
Perguntas frequentes
Cachorro com hérnia de disco volta a andar?
Todo cão com IVDE precisa de cirurgia?
Posso dar dipirona ou anti-inflamatório humano?
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário. Não medique seu pet sem orientação profissional.