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Neurologia

Convulsão em cachorro e gato: o que fazer na hora e quando investigar

Dra. AlinnePor Dra. Alinne C. Almeida·Atualizado em 29/09/2026·7 min de leitura

Ver o seu pet convulsionar assusta — e é natural sentir pânico. Saber o que fazer (e o que não fazer) nesses minutos protege o animal e ajuda o veterinário a chegar ao diagnóstico depois.

Convulsão não é sinônimo de epilepsia

Convulsão é um evento causado por atividade elétrica anormal no cérebro. Epilepsia é uma predisposição persistente a crises recorrentes. Antes de dar esse nome, é preciso excluir outras causas: desmaio (síncope), alterações metabólicas (como glicose ou cálcio baixos), intoxicações e lesões no cérebro, como tumores ou inflamações.

Durante a crise

  • Mantenha a calma e afaste objetos e degraus que possam machucar;
  • Não coloque a mão na boca do animal: ele não engole a língua e você pode ser mordido sem que ele perceba;
  • Cronometre a duração e, se possível, filme;
  • Diminua estímulos: luz forte, barulho, pessoas ao redor;
  • Não dê água, comida nem remédios durante ou logo após a crise.

Vá imediatamente ao atendimento se a crise passar de cerca de 5 minutos, se houver várias crises seguidas sem recuperação entre elas, se o pet não voltar ao normal ou se houver dificuldade para respirar. Isso é uma emergência (status epilepticus) e o tratamento precoce faz diferença.

Depois da crise

É comum o pet ficar confuso, andar sem rumo, parecer cego por alguns minutos, salivar, ter sede e fome intensas ou urinar sem querer. Esse período “pós-ictal” costuma passar. Mesmo assim, marque uma avaliação: ela ajuda a entender o motivo da crise e se há risco de novas.

Como é a investigação

  1. Histórico detalhado: idade, raça, como foi a crise, uso de medicamentos, exposição a toxinas, vacinação, doenças anteriores.
  2. Exame físico e neurológico para confirmar a origem e localizar possíveis alterações.
  3. Exames de sangue e urina e, em gatos, avaliação da pressão arterial e de doenças sistêmicas que possam afetar o cérebro.
  4. Exames de imagem (como ressonância ou tomografia) e, em casos selecionados, análise do líquido cerebrospinal, quando os achados indicam.

Quando se considera medicar

O consenso internacional do ACVIM para cães orienta considerar o início de anticonvulsivantes, por exemplo, quando há lesão estrutural ou doença cerebral prévia, crises em grupo ou status epilepticus, duas ou mais crises em seis meses ou períodos pós-crise muito prolongados ou graves. A meta realista nem sempre é zerar as crises: é reduzir frequência e intensidade, evitar emergências e manter qualidade de vida com efeitos colaterais aceitáveis.

O tratamento exige acompanhamento (por exemplo, exames periódicos e, com alguns medicamentos, dosagem no sangue). Nunca inicie, ajuste ou interrompa anticonvulsivantes sem orientação veterinária.

E nos gatos?

Em gatos, convulsões podem ter relação com doenças fora do cérebro — como hipertensão, problemas hepáticos ou infecções. Por isso, a investigação é mais ampla e não deve se limitar à cabeça.

Perguntas frequentes

O que causa convulsão em cachorro?
As causas incluem epilepsia, alterações metabólicas, intoxicações, tumores, inflamações e infecções do cérebro, trauma e outras doenças. Só a investigação define qual é.
Meu pet pode ter uma vida normal com epilepsia?
Muitos animais levam uma vida ativa e confortável com tratamento adequado e acompanhamento. O objetivo é controlar as crises e preservar a qualidade de vida.
Posso dar remédio humano durante a crise?
Não. Medicamentos humanos podem ser inseguros para cães e gatos. Procure atendimento e siga apenas a orientação do veterinário.

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário. Não medique seu pet sem orientação profissional.

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